
No dia 4 de abril de 2026, o município de São João Batista recebe o III Festival de Canoagem e Ecoturismo da Baixada Maranhense. A programação ocorre no Porto da Raposa e na comunidade da Comporta, em São João Batista, reunindo jovens, artistas, moradores da região, visitantes, organizações da sociedade civil e apoiadores locais em prol do turismo sustentável, justiça climática, esporte, cultura e lazer na região da Baixada Maranhense.
Justiça climática no calendário do território
A iniciativa parte de uma prática cotidiana na região: o deslocamento e a convivência com as águas. Nos campos alagados da Baixada, principalmente entre os meses de fevereiro e julho, canoas e pequenos barcos fazem parte da vida diária e são meio de transporte, trabalho e circulação entre comunidades. Com isso em mente, o Festival organiza essa experiência em formato esportivo e coletivo, mantendo sua base no conhecimento local e na cultura do próprio território.
Nesse contexto, a canoagem assume outra função. Ao ocupar igarapés e áreas alagadas como espaço de prática esportiva e convivência, o evento amplia o acesso ao lazer em uma região onde esse direito ainda é limitado e, ao mesmo tempo, reforça formas de uso compatíveis com o equilíbrio ambiental. A Baixada Maranhense é reconhecida como uma das zonas úmidas de importância global, reunindo manguezais, igarapés, lagos e campos inundáveis que regulam o ciclo da água e sustentam a biodiversidade. Ainda assim, o território enfrenta limitações históricas de infraestrutura, baixa oferta de equipamentos de lazer e escassez de políticas voltadas ao esporte, especialmente modalidades menos institucionalizadas, como a canoagem, além de pouca estrutura para enfrentamento dos riscos ambientais que atingem a região.
O ecoturismo como aliado

Criada em 2024 por mobilização de lideranças locais, a iniciativa vem ampliando a participação de jovens e consolidando parcerias pelo desenvolvimento territorial sustentável da região. O ecoturismo não é tratado como exploração pontual da paisagem, mas sim como uma prática orientada pelo uso responsável dos recursos naturais e pela participação direta das comunidades. Diferente de modelos convencionais de turismo, que muitas vezes operam de forma externa ao território e com alto impacto ambiental, o ecoturismo proposto pelo festival se estrutura a partir do conhecimento local, da preservação dos ecossistemas e da valorização da cultura local.
Isso implica em um conjunto de princípios: atividades de baixo impacto, monitoramento ambiental, circulação de renda no território e fortalecimento de vínculos entre visitantes e comunidades. Nos campos alagados, essa lógica se materializa na própria canoagem, uma prática que respeita os ciclos das águas, não exige grandes intervenções na paisagem e mantém a relação direta com o ambiente e seus costumes.
Segundo João Damasceno Figueiredo Júnior, antropólogo e um dos coordenadores da iniciativa, o projeto articula esporte, cultura e meio ambiente como estratégia de valorização dos recursos naturais e de fortalecimento da relação das comunidades com o território. Ele afirma que proposta também contribui para ampliar o debate público sobre os impactos da crise climática em São João Batista e na Baixada Maranhense em geral. “Quando a gente transforma uma prática cotidiana, como o uso da canoa nos campos alagados, em uma atividade coletiva e organizada, a gente também fortalece o vínculo das pessoas com o território e com a preservação dos recursos hídricos. Isso tem impacto direto na forma como as comunidades percebem e enfrentam as mudanças climáticas”, afirma.
Ao longo das três edições, o Festival passou a funcionar como ponto de encontro entre gerações e cultura local. A circulação de participantes e visitantes também movimenta pequenos comércios e serviços nas comunidades envolvidas. A experiência indica um caminho já em curso na região: o uso do território a partir de práticas que combinam geração de renda, preservação ambiental e fortalecimento social. Nos campos alagados da Baixada, a canoagem deixa de ser instrumento apenas para deslocamento e passa a organizar redes, atividades e novas formas de permanência no território.
Detalhes gerais

A 3ª edição do festival acontecerá no dia 4 de abril de 2026, no Porto da Raposa e Comunidade da Comporta, em São João Batista, Maranhão. A programação completa do evento prevê atividades pela manhã e à tarde, como remada coletiva nos igarapés seguida de atividades culturais e momentos de convivência, além da competição de canoagem nas categorias masculina e feminina, reunindo participantes de diferentes comunidades e oferecendo uma premiação para os primeiros lugares.
O Instituto Comunitário Baixada Maranhense (ICBM) fortalece as atividades do Festival pelo segundo ano seguido, reforçando seu compromisso com iniciativas criativas que promovam justiça socioambiental e lazer no território. A programação completa e mais informações você pode encontrar nas redes sociais da Canoagem Baixada, clicando aqui.
Imagens: Pablo Figueiredo (Artista visual de São João Batista, MA)